quarta-feira, 30 de março de 2016
quarta-feira, 23 de março de 2016
sábado, 13 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Chuva
(Agnieszka Borkowska)
Diz-me das palavras que te brotam do coração.
Diz-me da chuva que bate na tua janela levando as que brotam do meu.
Diz-me das palavras que te brotam do coração.
Diz-me da chuva que bate na tua janela levando as que brotam do meu.
Estar só
(Edvard Munch)
Estar Só é
Estar no Íntimo do Mundo
Por vezes cada objecto se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo
António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Presença
(Gisele Lubsen)
Sinto o teu toque sem o calor da polpa dos teus dedos. Sinto o teu toque, ainda que não estejas.
Sinto o teu toque sem o calor da polpa dos teus dedos. Sinto o teu toque, ainda que não estejas.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
A amputação das asas
(Gonzalo Orquín)
Ícaro
A minha Dor, vesti-a de brocado,
Fi-la cantar um choro em melopeia,
Ergui-lhe um trono de oiro imaculado,
Ajoelhei de mãos postas e adorei-a.
Por longo tempo, assim fiquei prostrado,
Moendo os joelhos sobre lodo e areia.
E as multidões desceram do povoado,
Que a minha dor cantava de sereia...
Depois, ruflaram alto asas de agoiro!
Um silêncio gelou em derredor...
E eu levantei a face, a tremer todo:
Jesus! ruíra em cinza o trono de oiro!
E, misérrima e nua, a minha Dor
Ajoelhara a meu lado sobre o lodo.
José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'
Ícaro
A minha Dor, vesti-a de brocado,
Fi-la cantar um choro em melopeia,
Ergui-lhe um trono de oiro imaculado,
Ajoelhei de mãos postas e adorei-a.
Por longo tempo, assim fiquei prostrado,
Moendo os joelhos sobre lodo e areia.
E as multidões desceram do povoado,
Que a minha dor cantava de sereia...
Depois, ruflaram alto asas de agoiro!
Um silêncio gelou em derredor...
E eu levantei a face, a tremer todo:
Jesus! ruíra em cinza o trono de oiro!
E, misérrima e nua, a minha Dor
Ajoelhara a meu lado sobre o lodo.
José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'
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