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sábado, 18 de abril de 2015

(imagem daqui)

Fui mulher tantas vezes nas tuas mãos que eram ternas. Não sei, agora, sê-lo. De mim, resta a sombra que não sabe perder-se de ti, quando a ternura das tuas mãos já não é minha.

domingo, 12 de abril de 2015

Tateio

(Isaac Israëls: Woman in front of Van Gogh's Sunflowers, 1917)


Tateio


Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.

Hilda Hilst, in 'Preludios-Intensos para os Desmemoriados do Amor'